SCN – Luis Gama

O primeiro post da nossa Semana da Consciência Negra será sobre Luis Gama, nascido escravo em Salvador em 1830. Filho de um português e uma negra escrava, foi vendido aos 10 anos pelo pai e alforriado em 1847.

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Desde sua libertação, Gama lutou pelo fim da escravidão, tornando-se um grande abolicionista do século XIX. Analfabeto até os 17 anos, ele aprendeu a ler e escrever, além de ser autodidata em Direito.

Trabalhando como advogado, Luis Gama defendeu e libertou mais de 500 escravos. Morreu em 1882, seis anos antes da Lei Áurea, que concretizou a abolição da escravidão.

Mesmo sendo um intelectual da época – advogado, poeta, jornalista -, a história de Luis Gama ficou anos não reconhecida, e sua atuação como abolicionista só foi reconhecida pela OAB no dia 03 desse mês novembro de 2015, dando a Gama o título de advogado.

É curioso que Gama apresente sua mãe como sendo Luisa Mahin, personagem importante para o Movimento de Mulheres Negras atualmente. Curioso pois estudos apontam que Luisa Mahin tenha sido, talvez, uma invenção – mas uma invenção que deu identidade, esperança, fé e luta há muitos grupos. Dulcilei da C. Lima (2009) nos apresenta a tese de Lígia F. Ferreira (2001) a partir da análise do poema “Minha Mãe” e uma carta autobiográfica escritos por Gama, de que há

contradições presentes nesses documentos, que equivaleriam à confirmação de que se trata de uma personagem fictícia. Exemplo disso é a condição religiosa de Luiza: no poema, Gama atribui à mãe a religiosidade cristã e, mais tarde, na carta enviada ao jornalista, afirma categoricamente que a mãe manteve-se pagã, pois sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. (Lima, 2009, p. 02, grifo da autora)

Além disso, outras teses apontam para contradições na imagem de Luisa Mahin. Considerada símbolo importante da Revolta dos Malês – quando  em 1835 um grupo de negros escravos de origem muçulmana se revoltou em Salvador, buscando criar uma nação malê islâmica na cidade – pelo menos duas visões se interpelam sobre o papel da negra no conflito.

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Pedro Calmon, em 1933, escreveu um romance sobre a revolta, no qual colocou Luiza Mahin no papel de traidora por ter denunciado os planos dos revoltosos às autoridades. Já na década de 70, Arthur Ramos escreveu de Luiza Mahin foi uma grande expoente do movimento, sendo em sua casa as reuniões dos revoltosos, estando ela mesma como uma das líderes. (Lima, 2009, p. 02)

Assim, é difícil discutir qual o papel real de Luiza Mahin na revolta, ou mesmo sua biografia, tendo cada autor se apropriado de informações diferentes e contraditórias. Porém é interessante a relação entre Luis Gama e Luiza Mahin, ambos importantes para o movimento, memória e história negros!

Veja mais em…

O sonho sublime de um ex escravo. Reportagem da Revista de História.

Luis Gama (1830-1882): Enfim advogado. Reportagem do Estadão.

LIMA, Dulcilei da Conceição. Luiza Mahin: estudo sobre a construção de um mito libertário. XXV Simpósio nacional de história da ANPUH. Fortaleza, 2009.

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